(...) Era suposto nós termos um teclado incorporado, ou pelo menos um joystick para fazer um “on” ou “off” ao que queremos ou não sentir.
Durante algum tempo julguei ter esse “engenho” comigo. Consegui ignorar olhares, comentários, conversas indesejadas, conselhos descabidos. Eu sentia-me um verdadeiro robot- dos-sentimentos. Interessa? ON! Não tem jeito? OFF!
Eu tive um verdadeiro controlo sobre o meu coração que, durante algum tempo, esteve fechado, qual caixa-forte do Banco de Portugal ou melhor, de qualquer banco mais bem guardado da Suiça – ao pé da Suiça, roubar um banco português parece ser como roubar um doce a uma criança. Percebi agora como tu conseguiste “assaltar-me” com uma pinta daquelas!
(...)
Quando te conheci, de início, não dei muita importância. (…) De repente, uma corrente de ar digna de um furacão rebentou-me com cada cadeado, cada trinco, cada corrente, cada protecção que tinha no meu tão bem guardado coração. Entraste, instalaste-te com toda a comodidade na Suite Presidencial e por ali resolveste ficar até agora, momento em que estou a escrever…
Agora percebi que, quanto mais armados estamos e mais evitamos algo, é quando essa coisa mais facilmente nos ataca. Num momento de “baixa de defesas” entra e vai fazendo estragos sem pedir desculpas (piada pessoal, ok?).
Não é que tenhas feito estragos. Pelo contrário, a mobília da Suite Presidencial está a brilhar! Soubeste tratar muito bem do pedaço que roubaste do meu banco!
O meu coração, à semelhança de um avião, também poderia ter uma caixa-negra, para registar os sentimentos, as emoções (sim, sentimentos e emoções são coisas diferentes!) os gestos que mais nos marcaram, etc. Na minha caixa-negra também há uma cotação para as pessoas. As pessoas estão divididas por listas : amizade, família, pessoas mesmo especiais, lista negra – sim, o coração também regista quem nos magoa mesmo quando não merecemos!
Ora bem, entraste directamente para a lista AMIZADE. Mas eras tão... tão... não sei como definir… tão… vou tentar palavras aproximadas… tão… tão tu… tão especial… tão daquelas pessoas que entram na nossa vida e fazem vibrar o espanta espíritos da intuição… tão como se eu tivesse esperado tanto por alguém assim que tivesse adormecido e não me lembrasse…
A paz que me transmitias e a tua simplicidade fizeram te ascender à lista “pessoas mesmo especiais”, aquele tipo de pessoas pelas quais fazemos tudo o que for preciso para as ver bem, nem que seja fugir com elas para bem longe, doar um órgão, apanhar uma chuvada a espera delas,… Este grupo de pessoas é bastante restrito, como é óbvio. O acesso é restrito, como também é óbvio, o grau de exigência para manutenção também é obviamente alto… e… tu não conseguiste manter-te nessa lista!! Não te chegava estares onde estavas?
Bem me parecia que não! Começaste a rebentar com as costuras outra vez, as escalas já não eram compatíveis com os valores avaliados e, com tanto estrago, tive de te pôr na solitária. Mas atenção que é uma “solitária” especialíssima! Toma atenção às condições: Pólo Sul com clima tropical, pinguins, caipirinha, nada de pipocas, caixas e caixas a abarrotar de mimos, sorrisos, sorrisos, sorrisos… e a mais alta taxa de confiança. Plim! Parabéns!
Aperta bem o cinto, respira fundo e (...) Boa viagem…
Chantilly*
Irás ser uma grande 1º elemento ou srª presidente como alguns possam chamar, a tua unidade orgânica irá ganhar muito por ter alguém como tu e serão parvos se desperdiçarem esta oportunidade :)
nada de desanimar ok ;)
beijinhos